- A situação era: nós no meio da rua, de um lado da rua uma população inteira de patos do outro lado a lagoa e alguns turistas tirando fotos e relaxando.
- O depoimento do amigo A: "Nussa, eu tava mó rápido quando eu vi uns patos voando para o meio da rua e o carro parado esperando alguma coisa, fiquei pensando o que eu teria feito para aqueles patos, mas quando olhei para trás descobri que eu não era o culpado. Vi o Zeca correndo atrás de cada um deles, e eles desesperados atravessando a rua para tentar chegar na lagoa. Ri demais."
- O depoimento do amigo C: "Hahahahahahahahahaha."
- O depoimento do amigo B: "Puta merda, como eu sou burro, o que foi que eu fiz? Vooooltaaa!"
Sim, isso estava acontecendo, eu estava perseguindo os patos. Desviando, ou não, dos carros, das bicicletas, dos turistas. Corria atrás de um alvo, quando mordia a bunda deles minha boca se enchia de penas, era uma sensação estranha, tanto que eu parava para pensar um tempo, cuspia todas as penas e partia pro ataque novamente, repetindo essa cena algumas vezes.
Já tínhamos atravessado a rua, os patos estavam adentrando a lagoa (para entrar na lagoa era necessário atravessar um buraco na cerca, era um buraco muito pequeno e meio tosco, feito por um amante dos patos que teve pena quando viu os patos isolados em terra fora da lagoa cercada). Me vi sem saída, tinha que entrar na lagoa para continuar minha caçada. Mas eu nem sabia se sabia nadar. Agora sei. Só sei que os patos me humilharam na água, os poucos metros que eu avancei foram o suficiente para eles estarem a salvo. Além de eu estar engolindo mais água que o de costume. Resolvi voltar, e quando olho para a terra eu vejo meu amigo B deitado rastejando para atravessar o buraco dos patos (o buraco da cerca) e me chamando. Não podia deixar ele fazer tudo aquilo a toa, voltei. Foi aí que percebi que eu ainda estava preso à corda, mas ao contrário do que os senhores leitores inexistentes desejam ela não enroscou em lugar algum e eu não me afoguei.
Quando a adrenalina baixou vimos a reação dos turistas, uns estavam chocados e outros riam da cena.
O amigo B estava sujo de barro, eu estava molhado por inteiro, amigos A e C não estavam nada além de rindo, e o pior, nem tiraram fotos, como eu vou escrever um livro assim, sem imagens para comprovar?
Passado o susto (e a festa) seguimos nosso passeio calmamente rindo o caminho inteiro do que aconteceu.
Até outro dia pessoal!
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